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POESIA: A ELEIÇÃO VEM AÍ

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A ELEIÇÃO VEM AÍ

A eleição vem chegando,
Todo mundo é bom demais;
Quem sumiu por quatro anos
Agora aparece em paz.
A rua ganha sorriso,
Mas a esperança é capaz.

A rua ganha sorriso,
Abraço, aperto de mão;
Até quem vivia sumido
Vira amigo do povão.
Falam bonito, fazem festa,
E o povo fica sem atenção.

Promessa nasce ligeiro,
Mais depressa que capim;
Tem ponte, escola e asfalto
Tudo pronto… “quase no fim”.
No papel é tudo lindo,
Na prática, fica assim.

Tem candidato dizendo:
— Vou mudar a nação inteira!
Mas quando sobe no palanque
Ele só fala besteira.
Bonito é só no discurso,
Na ação, não passa da fronteira.

Outro jura que faz chuva
Quando o tempo é de calor;
Se duvidar, planta peixe
E colhe manga em flor.
Milagre ele garante,
Mas o povo sabe o valor.

Tem carreata, buzina,
Bandeira de todo lado;
Quem brigava ontem cedo
Hoje anda abraçado.
Sentimento vira moeda,
E um povo todo zangado.

No palanque é só discurso:
“Meu amigo! Minha irmã!”
Depois que fecha a urna,
Some antes da manhã.
Prometeu, desapareceu,
Como carrinho de rolimã.

O eleitor dá risada,
Já conhece o figurão;
Prometer não custa nada,
Cumprir… é outra questão.
Já viu filme repetido,
Só muda o nome do campeão.

No final fica o conselho,
Que vale para o cidadão:
Vote sempre com consciência,
Não com a emoção.
Pense bem antes de escolher,
Pra não sofrer do coração.

Pois o voto é coisa séria,
Não é prêmio nem favor;
Quem escolhe com juízo
Colhe frutos de valor.
E o futuro agradece
Ao eleitor pensador.

Moiseis Oliveira da Paixão

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